Ementa
EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ART.
48 DA LEI Nº 9.099/95 E ART. 1.022, I, II E III, DO CPC.
OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRATOS TEMPORÁRIOS.
INTERSTÍCIOS CONTRATUAIS RELEVANTES. LAPSOS DE
SETE E QUATORZE MESES ENTRE VÍNCULOS. RUPTURA DA
CONTINUIDADE CONTRATUAL. IMPOSSIBILIDADE DE
RECONHECIMENTO DE VÍNCULO SUCESSIVO
ININTERRUPTO. AUTONOMIA DOS CONTRATOS
INTERCALADOS POR PERÍODOS EXPRESSIVOS.
CONTINUIDADE RECONHECIDA APENAS QUANTO AOS
ÚLTIMOS VÍNCULOS, DIANTE DA PROXIMIDADE
TEMPORAL. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS, COM
EFEITOS INFRINGENTES.
(TJPR - 4ª Turma Recursal - 0000142-35.2026.8.16.0078 - Curiúva - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS ALDEMAR STERNADT - J. 04.05.2026)
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do Acórdão
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Decisão monocrática
Atenção: O texto abaixo representa a transcrição de Decisão monocrática. Eventuais imagens serão suprimidas.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 4ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0000142-35.2026.8.16.0078 Recurso: 0000142-35.2026.8.16.0078 ED Classe Processual: Embargos de Declaração Cível Assunto Principal: FGTS/Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço Embargante(s): ESTADO DO PARANÁ Embargado(s): MARILENE MACIEL SERCHIARI EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ART. 48 DA LEI Nº 9.099/95 E ART. 1.022, I, II E III, DO CPC. OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRATOS TEMPORÁRIOS. INTERSTÍCIOS CONTRATUAIS RELEVANTES. LAPSOS DE SETE E QUATORZE MESES ENTRE VÍNCULOS. RUPTURA DA CONTINUIDADE CONTRATUAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DE VÍNCULO SUCESSIVO ININTERRUPTO. AUTONOMIA DOS CONTRATOS INTERCALADOS POR PERÍODOS EXPRESSIVOS. CONTINUIDADE RECONHECIDA APENAS QUANTO AOS ÚLTIMOS VÍNCULOS, DIANTE DA PROXIMIDADE TEMPORAL. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES. Trata-se de embargos de declaração opostos em face de decisão monocrática proferida por este Relator, a qual manteve o reconhecimento da nulidade integral dos contratos firmados entre as partes. Irresignado, o embargante sustenta a existência de interstício contratual superior a seis meses entre os vínculos, circunstância que, segundo alega, evidenciaria a descontinuidade das contratações e afastaria o reconhecimento de vínculo contínuo de trabalho. É o relatório. Decisão. O recurso deve ser conhecido vez que presentes os pressupostos processuais de admissibilidade. Os embargos de declaração são cabíveis quando presentes algum dos vícios elencados no artigo 48 da Lei 9.099/95 e o artigo 1022, incisos I, II e III do Código de Processo Civil. Assiste razão ao embargante. Com efeito, constata-se que este julgador não observou, por ocasião da decisão embargada, a existência de interstícios contratuais relevantes entre os vínculos firmados pelas partes, notadamente o lapso de aproximadamente sete meses entre o término do contrato encerrado em agosto de 2015 e o início da contratação em março de 2016, bem como o intervalo de cerca de quatorze meses entre o término do contrato de dezembro de 2016 e o início daquele celebrado em fevereiro de 2018. Tais hiatos temporais, à luz do entendimento consolidado nesta Turma Recursal, são aptos a evidenciar a ruptura da continuidade das contratações, afastando o reconhecimento de vínculo sucessivo ininterrupto, justamente em razão da significativa descontinuidade entre os períodos laborados. Desse modo, revela-se inviável considerar como contínua a integralidade das contratações, devendo ser reconhecida a autonomia dos vínculos separados por tais interstícios, ressalvando-se, contudo, a continuidade apenas em relação aos dois últimos contratos — compreendidos entre 15 /02/2018 a 31/12/2018 e 22/02/2019 a 31/12/2020 —, os quais, por sua proximidade temporal, evidenciam encadeamento sucessivo. Sobre o tema destaco os julgados: RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C COBRANÇA DE FGTS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. FAZENDA PÚBLICA. DOCENTE POR PRAZO DETERMINADO. CONTRATAÇÃO POR MEIO DE PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO - PSS. ALEGADAS SUCESSIVAS CONTRATAÇÕES TEMPORÁRIAS. ARTIGO 37, IX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 108/2005. INTERVALO SUPERIOR A 6 MESES ENTRE AS CONTRATAÇÕES. CONTINUIDADE CONTRATUAL DESCARACTERIZADA. PRORROGAÇÕES QUE NÃO EXCEDERAM O LIMITE LEGAL DE DOIS ANOS. OFENSA À NECESSIDADE TEMPORÁRIA E EXCEPCIONAL INTERESSE PÚBLICO NÃO VERIFICADA. LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO RECEBIMENTO DO FGTS. SENTENÇA REFORMADA. Recurso conhecido e provido. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0000625- 61.2019.8.16.0094 - Iporã - Rel.: Juiz Leo Henrique Furtado Araújo - J. 14.12.2020) RECURSOS INOMINADOS. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ (UENP). PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DO ESTADO DO PARANÁ. ACOLHIMENTO. AUTARQUIA COM AUTONOMIA ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA. ENTIDADE RESPONSÁVEL PELA REMUNERAÇÃO DE SEUS SERVIDORES. CONTRATAÇÃO DE PROFESSOR NA MODALIDADE PSS – PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO. SUCESSIVOS VÍNCULOS TEMPORÁRIOS - 2013 A 2019. EXCEPCIONAL INTERESSE PÚBLICO QUE SE MOSTRA PERMANENTE E NÃO TRANSITÓRIO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 1º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 108 /2005. NULIDADE PARCIALMENTE CONFIRMADA. PRECEDENTES DESTA TURMA RECURSAL. EXISTÊNCIA DE CONTRATOS COM INTERVALO SUPERIOR A 6 (SEIS) MESES. AFASTAMENTO DA CONTINUIDADE CONTRATUAL. REFORMA DA SENTENÇA, NESTE PONTO. RECURSO DO ESTADO CONHECIDO E PROVIDO. RECURSO DA UENP CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR- 4ª Turma Recursal- 0000940-96.2020.8.16.0145- Relator: Tiago Gagliano Pinto Alberto. Data Julgamento: 01/06/2021) Embargado(s): NEUSA BIAVATI EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 48 DA LEI Nº 9.099/95 E DO ART. 1022 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME DA CAUSA. IMPERTINÊNCIA. VIA RECURSAL INADEQUADA. ALEGAÇÃO DE INTERSTÍCIO CONTRATUAL. ENTENDIMENTO DESTA TURMA RECURSAL DE QUE A INTERRUPÇÃO DE 6 (SEIS) MESES OU MAIS DESCARACTERIZA A CONTINUIDADE CONTRATUAL. HIPÓTESE ALHEIA À CONTROVÉRSIA DOS AUTOS. EMBARGOS CONHECIDOS E REJEITADOS. (TJPR- 4ª Turma Recursal- 0005214-26.2019.8.16.0182- Relator: Aldemar Sternadt- Data Julgamento: 26/07/2021) Feitas tais considerações, impõe-se a reforma da decisão vergastada, a fim de reconhecer a validade dos contratos firmados nos anos de 2015 e 2016, diante da ausência de continuidade contratual apta a ensejar a declaração de nulidade com base na sucessividade dos vínculos. Dispositivo: Diante do exposto, conheço dos embargos de declaração e lhes atribuo efeitos infringentes, a fim de sanar a omissão verificada no julgado, reformando a decisão embargada para reconhecer a descontinuidade dos vínculos contratuais em razão dos interstícios identificados e, por conseguinte, declarar a validade dos contratos firmados nos anos de 2015 e 2016, mantidos os demais termos da decisão no que não conflitarem com a presente conclusão. Curitiba, data da assinatura eletrônica. Aldemar Sternadt Juiz Relator
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